domingo, 13 de julho de 2014

Confissões #2

durante um passeio pela praia, o meu pai teve uma conversa comigo sobre as diferenças que vou sentir agora, na transição para o secundário. de alguma maneira, a conversa foi parar ao meu irmão, como seriam as coisas se ele cá estivesse. já não é estranho, eu faço-o muitas vezes em silêncio. o meu pai fez um comentário para brincar com a situação, " Ele não deixava rapaz nenhum chegar perto de ti. ", e eu respondi, igualmente na brincadeira, " Nenhum chega, de qualquer maneira. ". Não deixa de ser verdade, pelo menos não da maneira de que estávamos a falar. claro que tenho o *D*, pensei imediatamente nele, mas ele é o meu melhor amigo e essa questão não tem mais discussão possível. então o meu pai disse-me algo que tanto ele como a minha mãe me têm estado a dizer durante os últimos três anos, só que duma maneira muito mais direta. " Tens de perceber o que está errado, parar de afastar as pessoas. ". ele falou apenas de certas situações de há três anos, mas, depois de refletir, cheguei a uma conclusão. pensei que tinha parado de afastar as pessoas que podem, possivelmente, gostar de mim. não fui capaz de afastar o *D*, porque ele não me deixou. se eu não deixasse a timidez impor-se, se não afastasse as pessoas, se não fugisse quando percebo que alguém me quer realmente conhecer, talvez não me sentisse tão diferente dos outros tantas vezes, não me sentisse a estranha, que nunca fez nada do que seria normal aos 16 anos. e ninguém sabe como eu odeio esses sentimentos, essa sensação de que não sou capaz, de que não sou normal, de que não pertenço aqui e de que nunca vou pertencer.