sexta-feira, 4 de abril de 2014

4 # carta para o teu irmão

Olá João,
tenho saudades tuas. Eu sei que nunca te conheci, acho quem nem tu próprio tiveste tempo para perceber que realmente existias.
Eu não liguei muito, acho que nem sequer percebi bem, quando a mãe me contou que eu tinha um irmão mas que ele tinha morrido à nasceça. Depois a Ritinha nasceu, tinha eu 1 ano e 11 meses.
Fui crescendo e percebendo o que é que aquilo que a mãe me tinha dito à uns anos significava. Habituei-me a ir frequentemente ao cemitério. Não é algo que toda a gente faça e com o passar dos anos, incomoda-me cada vez mais. A Rita falava muitas vezes em ti. Fazia muitas perguntas à mãe, para tentar perceber o que tinha acontecido. Eu não gostava, tenho de admitir. Odeiava que se falasse em ti, tinha a impressão que a mãe ia começar a chorar ou se calhar tinha medo de ser eu a começar a chorar. Às vezes tenho vontade de o fazer...
Os pais já não me obrigam a ir tantas vezes ao cemitério, ainda que me sinta mal por os 'obrigar' a ir sozinhos, não sou capaz de lá entrar com tanta frequência. Já imaginei tantas vezes como as coisas seriam diferentes se estivesse aqui. Imagino como serias agora, com 19 anos, até que ponto a minha vida ia ser diferente se estivesses aqui. É tudo o que me resta. Imaginar.
Quando olho para as estrelas, sei que estás lá, a tomar conta de nós.

Amo-te mano.

recompensa

era suposto ter escrito isto ontem, mas não pude, desculpem

já vos contei que houve um tempo em que não me queria esforçar para alcançar o objetivo, em relação à música. mas que objetivo? a minha escola de música tem um projeto, que começou muito antes de eu sequer ter a ideia de aprender a tocar guitarra. uma orquestra. uma orquestra constituída, quase na sua totalidade, por guitarras. não é uma coisa fácil de alcançar, mas quase toda a gente que entrava na escola tinha como objetivo fazer parte da orquestra. mas eu não. não era para mim. palcos? tinha vergonha. ter de lidar com muita gente? tinha vergonha. estive dois anos a tocar, tornava-me melhor, mas não o suficiente para sequer me perguntarem se queria entrar. mas começaram a perguntar. não como se me estivessem a convidar, só a tentar perceber qual era o meu objetivo. a verdade é que era pouco ambiciosa. eu não tinha objetivo, andava ali, de uma lado para o outro, a fingir que sabia o que queria. fui teimosa, disse que não. quis desistir. não andava lá a fazer nada, mas como já vos tinha dito, convenceram-me a ficar. foi aí que acordei para o mundo real. percebi que era altura de ser mais ambiciosa, de perder os medos e a vergonha e começar a trabalhar. um ano depois acabei por perceber que aquilo era o que eu realmente queria. fiz o que sabia que podia fazer para me aproximar do objetivo, da orquestra. a minha vida encheu-se de música, as cordas ficaram gastas e eu sabia o que realmente queria. na passada segunda-feira, toda esta viagem foi recompensada. o meu objetivo está apenas a duas horas de distância. o meu primeiro ensaio com aquela família, que sei que me vai receber de braços abertos. nunca pensei que a simples pergunta " Queres entrar? " me deixasse tão paralisada, tão feliz. honestamente, ainda nem acredito.

p.s.: se tiverem curiosidade, deixo-vos o site da escola e da orquestra: http://miguelmadaleno.wix.com/classedeguitarra // http://onguitarras.wix.com/onguitarras#!orquestra-nova-de-guitarras/ceqk

 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

um pouco de mim

lembrei de uma coisa da qual nunca vos falei. não sei bem porquê, talvez porque não tinha tanta importância como tem hoje, mas é algo que eu quero mesmo que vocês saibam, é algo que faz parte de mim, que cada vez é mais importante.
a música nunca esteve tão presente na minha vida como está agora, não vou mentir e dizer que desde pequena que tenho interesse, porque não tenho. na verdade, não tive até a minha irmã me convencer a ter aulas de guitarra. mesmo aí, demorei um pouco até entrar no espírito. mas tudo naquela escola de música me ajudou seguir o caminho certo, tudo mesmo. comecei à quatro anos e qualquer coisa atrás, eu tinha 11 anos e estava entusiasmada. os primeiros passos foram tão mais fáceis do que eu imaginei e continuei interessada. fiz três das amizades mais importantes que fiz até hoje naquela escola, ainda que uma delas tenha acabado por se revelar uma mentira e outra em algo que não sei bem definir. houve alturas em que me apeteceu desistir, parecia a maneira mais fácil, não me esforçava, não percebia a importância que podia vir a ter na minha vida, mas convenci-me a ficar. ainda bem. ninguém diria que hoje eu estaria assim, diferente, empenhada e esforçada. confesso que nos últimos tempos quis largar o empenho, sentia-me frustrada, mas percebi a tempo que não podia desistir e acabei por chegar ao meu objetivo. que objetivo? terão de esperar pelo próximo post para saberem o que mudou a minha vida, esta semana ;)