segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Diário de Viagem - Croácia: Dia 1

* este diário foi escrito de memória, uma vez que não tive oportunidade de fazer o registo durante aquela semana *
* não escrevi apenas sobre o que vi, o que aconteceu mas também sobre o que senti durante toda a viagem, porque foi algo bastante emotivo, onde aprendi bastante e tive bastante tempo para pensar nessas emoções e lições *
* acrescentarei fotos mais tarde e quando o fizer aviso-vos, espero que gostem :) *

- Primeiro que tudo, deixem-me explicar tudo sobre esta viagem. Como falei há algum tempo atrás (neste post), eu faço parte de uma Orquestra. Esta orquestra ainda não fez 10 anos, sendo por isso, relativamente recente. Durante esse tempo e com muito trabalho, foram alcançando objetivos bastante importantes e entretanto surgiu, finalmente, o convite para saírem do país, uma viagem à Croácia. Esta viagem tinha enormes custos, uma enorme responsabilidade e demorou quase dois anos a tornar-se concretizável. Só entrei há alguns meses, não sabia se poderia participar numa coisa tão grande. Mas foi-me dada essa oportunidade e eu não hesitei em agarrá-la.


* Dia 1 *

Levantei-me cedo. Estava cheia de medo. Nunca tinha partido para tão longe, nunca tinha estado afastada dos meus pais durante tanto tempo. E se não me integrasse no grupo? Conhecendo-me como conheço, achei que seria muito difícil integrar-me em qualquer grupo. Afinal, eu era ainda a menina nova na Orquestra. Todos os grupos estavam feitos. Ninguém era antipático, mas eu sabia que ia ter dificuldades. Além disso, tinha medo da despedida. Tinha medo que se tornasse “demasiado emocional”.

Mas mais que tudo, estava extremamente entusiasmada. Não conseguia estar quieta, com toda a ansiedade. A despedida não foi “demasiado emocional” e meti logo no autocarro. Sim, porque este grupo de pessoas é suficientemente maluca para se meter num autocarro durante dois dias, no início de setembro.

Não há muito que contar sobre Portugal e Espanha. No autocarro é uma loucura autêntica. E eu no meu canto, a fazer nada para além de ouvir música. Sinto que o meu verdadeiro companheiro de viagem foi o Ed Sheeran. Estava encostada à janela, do lado direito do autocarro, com a minha irmã ao meu lado, que estava entretida a tagarelar com as pessoas dos bancos de trás, não tinha grandes hipóteses de interagir com outras pessoas, principalmente quando ainda tinha criado laços com quase ninguém.

Foi quando chegámos a um dos sítios que eu mais ansiava ver com os meus próprios olhos. Quando percebi que estávamos no norte de Espanha e que havia algumas variações no deserto contínuo da paisagem, passei a estar com a máxima atenção. Agora que penso melhor nisso, parece-me um pouco parvo, os Pirenéus nunca iriam ser algo que passasse despercebido, mas a verdade é que assim que via qualquer monte mais alto ficava logo alerta. Quando entrámos realmente nos verdadeiros Pirenéus reparei na enorme diferença. Era mais bonito do que eu pensava. Infelizmente, começou a escurecer, e não pude tirar muitas fotos. Só aí parei de ouvir música e comecei a falar com a *C*, a única pessoa que me podia introduzir no grupo e com a *B*, que estava ao lado dela. Eram as duas pessoas com quem me era mais fácil interagir, uma vez que a *C* foi minha colega de turma desde o 2º ano da primária e a *B*, para além de ser muito amiga da *C* é alguém que fez sempre sentir à vontade. Comecei a sentir-me melhor, no entanto, comecei a achar que os dois rapazes à minha frente, o *J* e o *D*, que também fazem parte do tal “grupo”, não estavam a gostar da minha tentativa de me introduzir. Comecei a pensar que talvez estivesse a tentar demasiado, a esforçar-me demais. Era o que estava habituada a fazer. Decidi parar um pouco, e deixar-me levar pelos acontecimentos, em vez de parecer alguém desesperado por alguma companhia. Tentem perceber, as únicas pessoas que podiam passar o tempo comigo eram os mais novos, que não hesitavam em chatear-me o tempo todo, tenho de admitir que isso me deixava um pouco envergonhada e só um pouco desesperada por outra companhia. Então, a pausa de 45 minutos que fizemos para jantar, quase à saída dos Pirenéus, passei-a com a *C*, a *B*. A *Ca*, outra rapariga com quem já tinha tido a oportunidade da falar algumas vezes, juntou-se a nós. Percebi que agir normalmente e deixar-me levar era, de facto, a melhor solução.

Chegámos a França, e eu tive a certeza que já estava mais longe de casa do que alguma vez tinha estado. Incomodou-me menos do que eu pensava que iria. Talvez estivesse demasiado cansada para me deixar afetar por isso, depois de um dia de autocarro que me pareceram dois ou três.

A nossa paragem final, nesse dia era Toulouse. Esperávamos encontrar um bom hotel. Não demasiado bom, não pelo preço que pagámos, mas uma cama confortável e condições para todos tomarmos um bom banho. Encontrámo-nos num motel de beira de estrada, em vez disso. Não posso dizer que a cama não fosse confortável, mas nunca esperei encontrar a roupa da cama cheia de pó, bichos mortos e houve quem encontrasse no seu minúsculo quarto, lençóis sujos de sangue e outras coisas que ninguém foi capaz de identificar. Não me perguntem porque vos estou a contar isto, mas fui incapaz de não expressar isto de alguma forma. Isto e mais coisas mal feitas naquele motel ficaram-me gravadas na memória e não sei se alguma vez irei esquecer isso.

Para acabar com o restinho de paciência que ainda tinha nesse dia, as minhas companheiras de quarto eram a minha irmã e a *N*. Talvez vos fale dela mais à frente, para perceberem o meu desgosto.

1 comentário:

  1. Obrigada por considerares a minha opinião :) gostei muito e espero pelo resto!!

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