sexta-feira, 4 de abril de 2014

4 # carta para o teu irmão

Olá João,
tenho saudades tuas. Eu sei que nunca te conheci, acho quem nem tu próprio tiveste tempo para perceber que realmente existias.
Eu não liguei muito, acho que nem sequer percebi bem, quando a mãe me contou que eu tinha um irmão mas que ele tinha morrido à nasceça. Depois a Ritinha nasceu, tinha eu 1 ano e 11 meses.
Fui crescendo e percebendo o que é que aquilo que a mãe me tinha dito à uns anos significava. Habituei-me a ir frequentemente ao cemitério. Não é algo que toda a gente faça e com o passar dos anos, incomoda-me cada vez mais. A Rita falava muitas vezes em ti. Fazia muitas perguntas à mãe, para tentar perceber o que tinha acontecido. Eu não gostava, tenho de admitir. Odeiava que se falasse em ti, tinha a impressão que a mãe ia começar a chorar ou se calhar tinha medo de ser eu a começar a chorar. Às vezes tenho vontade de o fazer...
Os pais já não me obrigam a ir tantas vezes ao cemitério, ainda que me sinta mal por os 'obrigar' a ir sozinhos, não sou capaz de lá entrar com tanta frequência. Já imaginei tantas vezes como as coisas seriam diferentes se estivesse aqui. Imagino como serias agora, com 19 anos, até que ponto a minha vida ia ser diferente se estivesses aqui. É tudo o que me resta. Imaginar.
Quando olho para as estrelas, sei que estás lá, a tomar conta de nós.

Amo-te mano.

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